Manuela Silva faleceu ontem, 7 de outubro. A Associação Portuguesa de Economia Política evoca aqui a vida de uma grande economista dedicada ao ensino e à investigação e, de forma muito especial, a uma luta sistemática por uma conceção digna, inquieta e humanista da Economia e das suas práticas. De facto, não é possível em Portugal falarmos de teoria e prática de planeamento, de politicas sociais, de ética, de desenvolvimento comunitário, de crítica das desigualdades e da pobreza, do que deve ser o ensino, sem que o seu nome tenha de ser referido.

Manuela Silva foi, como se sabe, Presidente do nosso 2º Encontro de Economia Política que teve lugar em Coimbra a 1 e 2 de Fevereiro de 2019. Dirigiu-nos então palavras estimulantes acerca do modo com devemos encarar as três palavras que foram mote desta reunião, Democracia, Desenvolvimento, Desigualdade. Insistiu especialmente neste último tema, a que consagrou tanto do seu trabalho. E encontrou modo de se referir ao ensino da Economia, onde ela queria ver “disciplinas propiciadoras de um ensino plural”.

Muitos de nós estiveram com Manuel Silva em múltiplas circunstâncias – académicas, políticas, cívicas. Já este ano, em março, na Conferência Pensar o Futuro, que organizou, ficando assim bem ilustrado qual era o horizonte em que ela se colocava. Ainda há pouco, na mesma linha, tinha coordenado o livro Economia e Sociedade – Pensar o Futuro (Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2018). Manteve-se sempre atenta a tudo. Tem escassas semanas o email em que nos recomendava um livro significativamente intitulado A Nobreza de Espírito.

Manuela Silva, foi, portanto, “uma de nós”, como se disse na sessão de abertura do nosso último Encontro. Saudamos a sua vida, as suas ideias e o exemplo que nos deixou. Poucos engrandeceram tanto a nossa vida coletiva como ela. A sua memória acompanhará e estimulará os nossos trabalhos, com a energia e a alegria que tão próprias lhe eram. 

8 de Outubro de 2019

Deixe uma resposta

X